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sexta-feira, 30 de maio de 2014

Calix Sanguine Mei...

(Papa Paulo VI - Nascido Giovani Montini, foi Cardeal Arcebispo de Milão, onde obteve grande contato pastoral com a questão do trabalhador industrial. Eleito em 1963, finalizou o Concílio Vaticano II, aberto por seu predecessor João XXIII, tendo sido um reformador polêmico, e muito respeitado)


"A terra foi dada a todos e não apenas aos ricos. Quer dizer que a propriedade privada não constitui para ninguém um direito incondicional e absoluto. Ninguém tem direito de reservar para seu uso exclusivo aquilo que é supérfluo, quando a outros falta o necessário. Numa palavra, "o direito de propriedade nunca deve exercer-se em detrimento do bem comum, segundo a doutrina tradicional dos Padres da Igreja e dos grandes teólogos". Surgindo algum conflito "entre os direitos privados e adquiridos e as exigências comunitárias primordiais", é ao poder público que pertence "resolvê-lo, com a participação ativa das pessoas e dos grupos sociais".
Paulo VI, Encíclica Populorum progressio, § 23


O excerto supracitado faz parte da famigerada Carta Encíclica Populorum Progressio do Papa Paulo VI escrito no auge da Guerra Fria - no ano de 1967, cinco anos depois do quase malfadado resultado da Crise dos Misseis . Lembro-me de estudar esse documento no início do ano passado por pura curiosidade e ri-me quando vi sua repercussão à época: negativa, óbvio. O texto foi execrado pelas alas conservadoras do catolicismo por apresentar uma familiaridade inegável com preceitos marxistas - antagônicos à qualquer bom cristão daquele tempo. Aliás, ja naquela época florescia na América uma tal Teologia da Libertação, que são ondas de pensamentos de esquerda concebidos por clérigos católicos, com um destaque de vanguarda para o então frade franciscano Leonardo Boff (falaremos mais sobre futuramente).
De qualquer modo, o teor "pró-povo", o populorum, incomodou muito o colégio dos Cardeais e trouxe umas boas dores de cabeça ao santo padre. Mas convenhamos, não fora nosso mestre, Jesus Cristo, morto por seus pensamentos inovadores? O que poderíamos nós, seus apóstolos - e nisso incluo todo homem e mulher de boa vontade - esperar, senão beber deste mesmo cálice?
Cálice do sangue - sangue da nova e eterna aliança - sangue Dele, meu sangue...e seu. Sangue que ao invés de fertilizar a terra, a sufoca, a impele a ser ainda mais estéril, impessoal, apática às desgraças do mundo.
Mas como trazer paz ao caos?
Como repartir o pão a quem tem fome?
Com amor e respeito à raça, é o que digo. E não como as autoridades tem feito, usando o bem como moeda de troca pela demagogia. É ver o que o povo precisa, que não raro, será diferente do que ele quer.
Finalmente, surge o peccátu originale do nosso atual sistema. Não a propriedade privada, mas a privação da propriedade - e vejam, há uma diferença.
Mas eis que até para o Pão e Circo há um limite - finalmente parece que o povo está aprendendo.
E os gigantes estão acordando...

...cuidado, pois, com sua fúria.

Fica a dica de leitura da Encíclica, que pode ser lida na íntegra no site do Vaticano, clicando aqui. Isso, claro, para quem estiver disposto, já que o texto é exaustivamente longo - admito.
Forte abraço!

quinta-feira, 29 de maio de 2014

O DIREITO DE AMAR

Saudações caros leitores! Primeiramente a apresentação: sou Louise Dias e junto com meus amigos Mariano, Belozo e Laprano vou expor neste espaço discussões sobre polêmicas, visões políticas e sociais, pensamentos, aspirações, dentre outros temas que merecem destaque.
Colocando-me como a única representante do sexo feminino no blog, até o presente momento, não poderia deixar de trazer ao foco as questões de gênero.



O DIREITO DE AMAR

Quando as Nações Unidas proclamaram ao fim de 1948
Os trinta direitos humanos
Esqueceram, pois, de colocar
O direito de amar

Há homens que amam homens
Há homens que amam mulheres
Há mulheres que amam mulheres
Há homens que amam homens e mulheres
Há mulheres que amam mulheres e homens

Há transexuais que amam homens
Há homens que amam transexuais
Há transexuais que amam mulheres
Há mulheres que amam transexuais
Há transexuais que amam transexuais

Há pessoas que não definem uma opção sexual
E amam outras pessoas que não definem opção sexual
E amam mulheres, e amam homens e amam transexuais
O direito de amar é extenso a todo o ser humano
Ser humano, como ser, definido ou indefinido

Ser humano que ama ser humano
Homem, mulher, transexual, sem opção sexual
O direito de amar, deve se mostrar em todo lugar
Sem dor, ou pudor
Porque toda forma de amor merece ser respeitada e manifestada!

Nações Unidas proclame, pois o trigésimo primeiro direito!
E garanta a todo o ser humano o direito de amar!



Monólogo vermelho - Parte 1


-Xeque.
- É... nós continuamos usando as mesmas jogadas desde os dezoito. Você aparece cinquenta anos mais novo e, pro nosso desgosto, percebo que não evoluímos nada no jogo.
- Apesar de velho, você está menos gagá e mais irritante do que presumira.
Jogávamos Xadrez no asilo no qual fora internado. Eu com vinte e eu com setenta, o velhote brocha, pelancudo e fedendo a mijo que me tornara. Sem mais pormenores, não vou explicar a aurora de tal reunião. Dane-se o leitor. Voltemos a nós dois.
- Pretendo escrever um conto narrando nosso encontro.
- Seu idiota, Borges já fez isso num conto que você leu aos 22.
 - Mas eu ainda tenho 21.
- Isso significa que você ainda não o leu. Então escreva antes de ler o conto para não tender a plagiá-lo! A ideia ainda é original; mas saiba que você será um fiasco como escritor. Brasileiro não tem nada pra falar. Entendemos de bunda, pandeiro e futebol, mas não de literatura. Nos falta aquele calor ardente dos caribenhos. Nunca produziríamos um Garcia Márquez. O Brasil não tem uma safra decente de escritores desde os modernistas.
- Ah... Garcia Márquez... É foda mesmo! Mas e o Paulo coelho? Ele ficou bem famoso!
-Paulo o que? Uma bosta! Escreveu umas músicas pro Raul que até eram legais. Depois disso fumou muita erva e vendeu muita porcaria na Europa. Malditos europeus sedentos por leitura pobre e transcendente.  Deve ser a nostalgia do velho continente. Deixa os caras pirados.
-Você quer falar de que, moleque?
-Política, por favor!
-Pois então diga, o que quer saber?
-Bolivarismo! Socialismo! Que tal começarmos aqui.
-Bom, o Chávez morreu. Você já tava sabendo?
-Sim, foi recente, ano passado, se não me falha a memória.
 -Em relação ao socialismo: olhe aquele velhote barbudo ali. Você o reconhece? -Olhou o idoso magrinho, claramente debilitado, trajando um macacão adidas vermelho, assentado numa cadeira tosca de madeira.
-Não. Quem é?
 -Quem é? Como quem é?! Porra é o Fidel! A Veja até tentou mata-lo em 2012, você não se lembra? Cento e dez anos na carcaça.  Ainda ontem fumamos um Cohiba juntos.
-Eu não fumo, seu desgraçado!
-Você não; eu comecei aos sessenta, depois da revolução Bolivariana de 2050. Um socialista  que se prese precisa de uma barba e de um charuto.
-A... então você é socialista?- Contive o riso, mesmo assim, ele se irritou.
- E você é o que? Você lia Marx sem entender porra nenhuma desde os 15; eu sei mais coisas sobre nós do que você garoto, não se esqueça.
-Cala a boca! E essa revolução ai?
-Bem, A coisa toda começou pouco depois da morte do Chavez; tinha alguma coisa a ver com a saúde, os médicos cubanos, a greve nas universidades públicas, uma copa do mundo no Brasil... Estou tentando me lembrar mas... Não me vem a cabeça...Porra!
 -Só me faltava essa, encontrar-me cinquenta anos mais velho, habitando um asilo nojento e com lapsos de memória.
Nesse momento uma enfermeira se aproxima.
- Señor, venimos a la consulta médica de la semana?

  

Sobre a Europa, a América Latina e o Estado de bem-estar

      Ao ser bombardeado diariamente pela mídia tradicional com perspectivas apocalípticas do futuro brasileiro, me forço a fazer uma análise de contraste. Me entristece ser a plateia que assiste ao progressivo desmonte do Estado de bem-estar social europeu, Estado este construído após duas infernais Guerras Mundiais, em que o sangue de europeus, irmãos entre si, fora derramado por interesses alheios aos da pópria população europeia.
   
     Este desmonte, inaugurado pela loucura da Dama de Ferro, mostra novamente a facilidade com que os interesses e segurança populares são desbancados por questões privadas. Mostra como que a luta e as conquistas sociais são postas em xeque no primeiro momento de desatenção dos cidadãos. Isso é preocupante, ao mostrar que a história não mudou. Como sempre, é sempre interessante recorrermos ao nosso amigo barbudo: a briga de classes nunca cessou, fora meramente apaziguada, durante certo tempo, pelo Estado social. No entanto, esta agora se mostra mais necessária do que nunca.
    
      As duras medidas de austeridade que vêm sendo implantadas, embora não tenham mostrados resualtados reais de melhoras na economia, com certeza têm tornado a vida de milhares de europeus um verdadeiro desastre, como exposto neste artigo da Carta Capital.


A questão latino-americana

      Por mais que se critique, a América Latina, com seus governos de tendências sociais (que são, ao meu ver, pejorativamente taxados de populistas), é um dos únicos pontos de resistência à tendência neoliberal mundial. Não que suas economias sejam socialistas, - bem longe disso - mas sim que certos pontos de bem-estar social ainda são foco de preocupação estatal. Infelizmente, as elites locais ainda exercem uma pressão colossal contra tais medidas afirmativas, com acusações rasteiras e raivosas sobre esses programas - vide Bolsa Família e Mais Médicos. Outra técnica de desmerecimento de tais governos se encontra justamente na previsão de colapso econômico a que, como supracitado, somo sujeitos diariamente.

      A tentativa de instauração de caos público é uma técnica bem conhecida de desestabilização de governos. Tal modus operandi é tradicional neste continente, com prática exímia, como comprovado pelo alastramento de ditaduras militares na década de 60. Conjuntamente com tal método, são lançados candidatos de oposição que, embora usurpem parte do discurso de esquerda, com intuíto de arrecadar votos, como exposto neste artigo do Le Monde Diplomatique, pregam a implementação de certas "medidas impopulares", como o fez certo candidato da oposição ao governo brasileiro.


O contraste

      Feitas as devidas análises, é importante questionarmos: até que ponto nos encontramos realmente na iminência de um colapso ou estamos, na verdade, perante a influência dos mesmos grupos econômicos que pregavam que a "austeridade salvaria a Europa"? Estaríamos dispostos a oferecer o (pouco) que temos de garantias a grupos que não tem compromissos outros do que os seus próprios? Acreditar que os grandes bancos internacionais querem o bem da população brasileira, graças ao seu grande senso de altruísmo?

     É importante lembrar que, por incrível que pareça, o Brasil já cumpriu, com antecedência, dois dos Objetivos do Milênio propostos pela ONU, que têm como prazo 2015: a redução em dois terços da mortalidade infantil dos níveis de 1990 até 2015 e a redução da pobreza extrema pela metade, que o Brasil conseguiu ultrapassar e atingir um quarto.

      Observação: de maneira alguma se faz aqui uma ode ao atual governo federal, mas sim se ressalta como que as medidas sociais têm sim sua importância. Novamente, sendo a América Latina um dos "últimos bastiões" da preocupação social, clamo pela permanência e o progressivo aprofundamento de tais medidas. Vou além: creio que seja a integração continental com nossos "hermanos" a única solução real de combate às excessivas influências externas. À la moldes bolivarianistas, afirmo que passou-se o tempo de removermos a plaqueta "quintal" e reafirmarmos nossa soberania.

     

quinta-feira, 15 de maio de 2014

O Frontispício como Espelho

             É com alegria que vos saúdo com esta primeira postagem, e é com ainda mais alegria que partilho este sonho de um debate amplo com meus amigos Belozo e Laprano.
            É sim muito válido o sonho que deve permanecer vivo em nossas mentes, aquele sonho de uma realidade onde as verdades possam ser alcançadas através de um debate aberto e respeitador, uma dialética saudável entre mentes e corações que se enriquecem mutuamente em prol de uma só sociedade, um só povo, um só objetivo: a humanidade em geral. Por isso mesmo, foi proposto o nome HVMANITATIS como síntese desse movimento, um movimento que busca o diálogo entre a religião, a esquerda e a direita. De fato, "humanitatis" faz um paralelo com esta humanidade. Lembro-me de um excelente livro que li há alguns meses. A publicação, fruto de um diálogo entre um rabino e um padre católico, tornou-se uma verdadeira obra de comunhão de paz e valorização do que é diferente, sem que se perdessem as particularidades de cada religião, de cada cultura. O rabino hoje mora em Buenos Aires. O sacerdote hoje é conhecido como o Sumo Pontífice da Igreja Católica, o Papa Francisco. Deixo o livro como sugestão e um convite para que também deixemos nossas diferenças mais para a admiração do que estranhamento e repulsão. Tomemos o frontispício de nossas almas como um espelho, como nos sugerem os autores de "Sobre o Céu e a Terra", Cardeal Bergoglio e o Rabino Skorka. Todos estão mais do que convidados a ler e principalmente debater as postagens que aqui serão expostas.

Forte abraço,
Mariano.