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| (Papa Paulo VI - Nascido Giovani Montini, foi Cardeal Arcebispo de Milão, onde obteve grande contato pastoral com a questão do trabalhador industrial. Eleito em 1963, finalizou o Concílio Vaticano II, aberto por seu predecessor João XXIII, tendo sido um reformador polêmico, e muito respeitado) |
"A terra foi dada a todos e não apenas aos ricos. Quer dizer que a propriedade privada
não constitui para ninguém um direito incondicional e absoluto. Ninguém
tem direito de reservar para seu uso exclusivo aquilo que é supérfluo,
quando a outros falta o necessário. Numa palavra, "o direito de
propriedade nunca deve exercer-se em detrimento do bem comum, segundo a doutrina tradicional dos Padres da Igreja e dos grandes teólogos".
Surgindo algum conflito "entre os direitos privados e adquiridos e as
exigências comunitárias primordiais", é ao poder público que pertence
"resolvê-lo, com a participação ativa das pessoas e dos grupos sociais".
—Paulo VI, Encíclica Populorum progressio, § 23
O excerto supracitado faz parte da famigerada Carta Encíclica Populorum Progressio do Papa Paulo VI escrito no auge da Guerra Fria - no ano de 1967, cinco anos depois do quase malfadado resultado da Crise dos Misseis . Lembro-me de estudar esse documento no início do ano passado por pura curiosidade e ri-me quando vi sua repercussão à época: negativa, óbvio. O texto foi execrado pelas alas conservadoras do catolicismo por apresentar uma familiaridade inegável com preceitos marxistas - antagônicos à qualquer bom cristão daquele tempo. Aliás, ja naquela época florescia na América uma tal Teologia da Libertação, que são ondas de pensamentos de esquerda concebidos por clérigos católicos, com um destaque de vanguarda para o então frade franciscano Leonardo Boff (falaremos mais sobre futuramente).
De qualquer modo, o teor "pró-povo", o populorum, incomodou muito o colégio dos Cardeais e trouxe umas boas dores de cabeça ao santo padre. Mas convenhamos, não fora nosso mestre, Jesus Cristo, morto por seus pensamentos inovadores? O que poderíamos nós, seus apóstolos - e nisso incluo todo homem e mulher de boa vontade - esperar, senão beber deste mesmo cálice?
Cálice do sangue - sangue da nova e eterna aliança - sangue Dele, meu sangue...e seu. Sangue que ao invés de fertilizar a terra, a sufoca, a impele a ser ainda mais estéril, impessoal, apática às desgraças do mundo.
Mas como trazer paz ao caos?
Como repartir o pão a quem tem fome?
Com amor e respeito à raça, é o que digo. E não como as autoridades tem feito, usando o bem como moeda de troca pela demagogia. É ver o que o povo precisa, que não raro, será diferente do que ele quer.
Finalmente, surge o peccátu originale do nosso atual sistema. Não a propriedade privada, mas a privação da propriedade - e vejam, há uma diferença.
E os gigantes estão acordando...
...cuidado, pois, com sua fúria.
Fica a dica de leitura da Encíclica, que pode ser lida na íntegra no site do Vaticano, clicando aqui. Isso, claro, para quem estiver disposto, já que o texto é exaustivamente longo - admito.
Forte abraço!




