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sexta-feira, 27 de junho de 2014
segunda-feira, 16 de junho de 2014
Saudade
Acho que essa história já foi contada sob a ótica de cada
um, e sem dúvida, já li relatos maravilhosos que me fizeram chorar; como o
texto de despedida da Julia, ou os textos do blog do Lucas, que eu sempre leio
e me remetem à nostalgia daquele 2011, um dos melhores, mais tristes e nostálgicos
anos da minha vida.
Vocês sabem quem sempre fui dado às letras, e só não me
pronunciara antes porque, de certa forma, tive de blindar o peito contra a
profunda tristeza que me acometeu em vista da minha desistência da Universidade
Federal do ABC, e nunca tive a oportunidade expressar o meu pesar, que ficara
registrado naquelas poucas palavras frias escritas no meu violão com o qual
presenteei a pessoa da qual meu texto pretende tratar, nossa Goretinha.
Maria Gorete era a governanta da nossa casa, que como todos
os lares decentes de estudante, também tinha um apelido, “pensão da Vó Flávia”. Éramos por volta de 20 garotos e garotas sob
a responsabilidade dela.
No começo, haja vista nossa empolgação embasbacada tão comum
aos “bixos”, demos um pouco de trabalho. Uma semana desaparecia alguém, ela
tinha de ligar pros pais que ficavam desesperados; então o sumido sempre
aparecia no momento em que se pensava comunicar a polícia; algumas noites
depois alguém dormia bêbado no telhado (nosso telhado era chamado de “país das
maravilhas”; dispenso explicações); em alguma noite, tinha uma festa rolando no
quarto de alguém, as escondidas; mas também tinham as noites malucas pré provas
nas quais virávamos estudando na nossa querida salinha de estudos. Em todos
esses momentos, a Gorete esteve ali, ao nosso lado, brincando, nos dando
bronca, cantando, rindo e até chorando.
Juro que se eu pudesse, passaria no papel cada lembrança
daqueles anos sofridos que ainda me acometem a memória, mas se há algo de belo
na vida, é a tristeza advinda da nostalgia das lembranças que se perdem à
memória conforme o tempo passa, então não o farei. Mas confesso-lhes que, de
tantos momentos bons que passei ao lado de vocês, alguns dos mais proveitosos
se resumiram em minhas conversas com a Gorete, naquelas tardes frias, quando eu
preparava um cafezinho e nos sentávamos na cozinha para papear, logo após o
almoço.
Tão logo eu percebera o potencial dramático do que me contava
eu me atinha cada vez mais aos momentos em que passávamos conversando. Então
quando o café esfriava e os afazeres voltavam a vir a tona, nos despedíamos.
Então, eu corria pro meu quarto e anotava as suas histórias, suas paixões, as
suas músicas; e com isso fui pouco a pouco juntando partes que mais tarde me
renderiam alguns capítulos de um romance.
Meu texto versa de maneira não real acerca de ninguém e de
todos; apenas embasado em partes das
histórias que ouvia, e da minha inspiração triste das despedidas matinais na
esquina da Castro Alves com a Tamandaré, tristeza suficientemente inspiratória
para que começasse a rabiscar essas palavras;
Mostrarei algumas páginas:
Tamandaré
Tamandaré
Prólogo: Memórias de
um suicida.
“Não há nada a
temer,
a não ser as palavras.
As margens são ilusões.”
Este poderia ser um texto com a intenção de um pedido de
desculpas a todos vocês que amei de maneira singular, ou uma tentativa vil de justificação
à minha desistência.
Apesar disso, diz-se que um verdadeiro escritor não deve
morrer antes de versar ao menos um romance, e como já lhe havia prometido à
jornalista G. B., e ela a mim que se comprometeria ao menos resguardá-lo,
deixo-vos aqui o legado, primogênito e único que, na verdade, nada tem de
diferente das porcarias que qualquer medíocre aventureiro as letras possa
produzir num dia nublado ao som de Carlos Gardel. Mas como as mães que esbanjam
cuidados para com os filhos, assim são os escritores com seus romances. Para os
que duvidam do excesso de zelo com a obra, lembrem-se de Camões, e aqui no que
dizem as más línguas, que no lendário episódio de um naufrágio preferira salvar
o seu exemplar original dos Lusíadas à Dinamene, sua companheira até então.
Não somente por cuidado escreve-se, antes pois por vaidade
tola, na esperança de ter a obra intercambiada entre os demais e com isso
concretizar o eterno sonho utópico; eternizar-se. O Dilema de Aquiles, vida
plena ou reconhecimento perante os homens. Diante da ideia, digo que não há
outra maneira para fazê-lo se não por meio das palavras. “E disse Jesus: Eu sou o principio e o fim”.
O único contraponto, se assim o posso chamar, que o leitor
não há de encontrar no texto, se não implicitamente de modo meramente sutil, é
a fonte de inspiração da qual me deleito; uma tristeza profunda de alma, algo
inquietante que me corrói os ossos dia após dia. No exato momento em que verso
essa página já estava morto em vida.
São Paulo, Janeiro, 2013.
quarta-feira, 11 de junho de 2014
A Copa verteu o copo?
Caríssimos,
Já que estamos em clima de Copa ( ou não ), acho válido deixar aqui expressa minha PAIXÃO pelo dito ESPORTE. E vejam, essa história de amor não vem do berço, não!
Na verdade, minha versão miniatura até cerca dos 13 anos ODIAVA futebol.
Eu me perguntava à época: "Qual a graça de 22 marmanjos correndo atrás de uma bola?" - E isso no auge de minha pré-adolescência (ou "aborrecência"). A verdade é que nessa época eu achava mais produtivo fingir que gostava de REBELDE só pra ter mais papo com as menininhas. Lamentável, eu sei...mas de certo modo dava resultados até que satisfatórios.
Bem, de qualquer modo, aos poucos fui me habituando a jogar nas aulas de educação física, depois através do PES, depois assistir e então finalmente me tornei fã da modalidade.
Corinthiano roxo, vi meu time ascender em 2009 com Ronaldo, ser campeão brasileiro em 2011, das américas (INVICTO) e do mundo em 2012.
Também vi a seleção jogar em 2010 e xinguei Julio César e Felipe Melo de todos os nomes conhecidos pela raça humana.
Já nessa época, aliás, começavam os burburinhos por causa da escolha do Brasil como país-sede (eleito em 2008, s não me falha a memória)
Para os pessimistas: um FIASCO!
Para os apaixonados: FESTA!
E, para os desonestos, FESTA! (infelizmente)
Desde então, em meio às mortes por acidentes e demais polêmicas, tem sobrado xingamentos para jogadores, políticos e até pra Dilma que já pegara o "bonde andando" e não tinha NADA a ver com a organização, pelo menos diretamente. Mas, enfim, quem é presidentA deve estar preparado para tomar chumbo (coff coff PSDB coff coff [na verdade esse parênteses nem tem nada à ver, mas falar chumbo me lembra tucanos =P]).
Enfim, protesto após protesto, a copa é cada vez mais objeto de escárnio e ódio pela "recém politizada" (Sim, estou sendo super irônico) High-Society e Cult-Society de nosso país lindo e fofo.
Escolas padrão FIFA!
Hospitais padrão FIFA!
Pro escambau com a FIFA, é o que digo! São abutres, mercenários e desprezíveis sim!
BUUUT.... ACORDA BRASIL!
Pois o buraco no qual nossa nação se encontra não tem nada a ver com a FIFA. E se não houvesse copa, esses bilhões de investimentos e desvios de forma alguma iriam para as áreas requisitadas. E tudo isso por um simples motivo: cada área da sociedade já possui seu orçamento!
Assim, se 77 Bi, por exemplo, são reservados à educação, então estes mesmos 77 bi não irão para nenhuma outra área! (Trambiques e desvios estão sendo desconsiderados nesta sentença, ok?). Mas o que eu quero dizer é que com ou sem Copa, o problema está em nosso GOVERNO.
Se for Olimpíada terá desvio!
Se vier o papa terá desvio!
Se baixar o E.T. haverá desvio!
E se Jesus decidir reprisar a Santa-Ceia em Copacabana também haverá DESVIO.
Há desvio porque nosso sistema é podre. Lutemos, então, contra isso! E lutemos também quanto a transformação de jogadores em mercadoria.
Mas DEIXER SER O ESPORTE, por favor! Ele é belo e puro: é arte!
Quer lutar contra a corrupção?
Então, please, menos faixas com frases de efeito para aparecer na rede PLIN PLIN e na capa da VISTA (o nome da emissora e revista vcs imaginam né? Mas tomemos cuidado com os processos).
Por favor, só trate de medir o peso do seu dedinho no dia das eleições, pra não ter mimimi depois!
Agora, de fato, tenho que concordar que talvez essa roubalheira toda possa ter sido a gota d'água num copo já cheio...e o esporte é que pagou o pato.
Sim, meus amigos, parece que a Copa fez verter o copo d'água - Mas não se esqueçam! Os abutres continuam soltos e comendo os cadáveres putrefatos do povo: suas dignidades.
E isso COM ou SEM copa.
Assim, amanhã estarei com a minha bundinha (ou falta dela) bem sentada no sofá assistindo a abertura da seleção - porque GOSTO do esporte e pago meus impostos para poder assistir ao que quiser na MINHA TV.
Se você não gosta, tudo bem! Há inúmeros canais fechados exibindo filmes o dia todo. Ou você pode alugar algo. Ou ler. Seu direito, respeito. Só sou contra os rebeldes sem causa, fique claro.
Este é um país livre!
Livre, inclusive, de bom-senso.
E tenho dito!
Pax Domini :D
Já que estamos em clima de Copa ( ou não ), acho válido deixar aqui expressa minha PAIXÃO pelo dito ESPORTE. E vejam, essa história de amor não vem do berço, não!
Na verdade, minha versão miniatura até cerca dos 13 anos ODIAVA futebol.
Eu me perguntava à época: "Qual a graça de 22 marmanjos correndo atrás de uma bola?" - E isso no auge de minha pré-adolescência (ou "aborrecência"). A verdade é que nessa época eu achava mais produtivo fingir que gostava de REBELDE só pra ter mais papo com as menininhas. Lamentável, eu sei...mas de certo modo dava resultados até que satisfatórios.
Bem, de qualquer modo, aos poucos fui me habituando a jogar nas aulas de educação física, depois através do PES, depois assistir e então finalmente me tornei fã da modalidade.
Corinthiano roxo, vi meu time ascender em 2009 com Ronaldo, ser campeão brasileiro em 2011, das américas (INVICTO) e do mundo em 2012.
Também vi a seleção jogar em 2010 e xinguei Julio César e Felipe Melo de todos os nomes conhecidos pela raça humana.
Já nessa época, aliás, começavam os burburinhos por causa da escolha do Brasil como país-sede (eleito em 2008, s não me falha a memória)
Para os pessimistas: um FIASCO!
Para os apaixonados: FESTA!
E, para os desonestos, FESTA! (infelizmente)
Desde então, em meio às mortes por acidentes e demais polêmicas, tem sobrado xingamentos para jogadores, políticos e até pra Dilma que já pegara o "bonde andando" e não tinha NADA a ver com a organização, pelo menos diretamente. Mas, enfim, quem é presidentA deve estar preparado para tomar chumbo (coff coff PSDB coff coff [na verdade esse parênteses nem tem nada à ver, mas falar chumbo me lembra tucanos =P]).
Enfim, protesto após protesto, a copa é cada vez mais objeto de escárnio e ódio pela "recém politizada" (Sim, estou sendo super irônico) High-Society e Cult-Society de nosso país lindo e fofo.
Escolas padrão FIFA!
Hospitais padrão FIFA!
Pro escambau com a FIFA, é o que digo! São abutres, mercenários e desprezíveis sim!
BUUUT.... ACORDA BRASIL!
Pois o buraco no qual nossa nação se encontra não tem nada a ver com a FIFA. E se não houvesse copa, esses bilhões de investimentos e desvios de forma alguma iriam para as áreas requisitadas. E tudo isso por um simples motivo: cada área da sociedade já possui seu orçamento!
Assim, se 77 Bi, por exemplo, são reservados à educação, então estes mesmos 77 bi não irão para nenhuma outra área! (Trambiques e desvios estão sendo desconsiderados nesta sentença, ok?). Mas o que eu quero dizer é que com ou sem Copa, o problema está em nosso GOVERNO.
Se for Olimpíada terá desvio!
Se vier o papa terá desvio!
Se baixar o E.T. haverá desvio!
E se Jesus decidir reprisar a Santa-Ceia em Copacabana também haverá DESVIO.
Há desvio porque nosso sistema é podre. Lutemos, então, contra isso! E lutemos também quanto a transformação de jogadores em mercadoria.
Mas DEIXER SER O ESPORTE, por favor! Ele é belo e puro: é arte!
Quer lutar contra a corrupção?
Então, please, menos faixas com frases de efeito para aparecer na rede PLIN PLIN e na capa da VISTA (o nome da emissora e revista vcs imaginam né? Mas tomemos cuidado com os processos).
Por favor, só trate de medir o peso do seu dedinho no dia das eleições, pra não ter mimimi depois!
Agora, de fato, tenho que concordar que talvez essa roubalheira toda possa ter sido a gota d'água num copo já cheio...e o esporte é que pagou o pato.
Sim, meus amigos, parece que a Copa fez verter o copo d'água - Mas não se esqueçam! Os abutres continuam soltos e comendo os cadáveres putrefatos do povo: suas dignidades.
E isso COM ou SEM copa.
Assim, amanhã estarei com a minha bundinha (ou falta dela) bem sentada no sofá assistindo a abertura da seleção - porque GOSTO do esporte e pago meus impostos para poder assistir ao que quiser na MINHA TV.
Se você não gosta, tudo bem! Há inúmeros canais fechados exibindo filmes o dia todo. Ou você pode alugar algo. Ou ler. Seu direito, respeito. Só sou contra os rebeldes sem causa, fique claro.
Este é um país livre!
Livre, inclusive, de bom-senso.
E tenho dito!
Pax Domini :D
terça-feira, 10 de junho de 2014
Sobre o pão, o sal, o azeite, a luz e a casa
Caríssimos, boa noite!Estava eu refletindo sobre nosso mundinho de Deus e acerca da problemática da propriedade privada que abordei tão levianamente em meu último post.
Pois bem, à luz da meditação da liturgia diária de hoje, cheguei a algumas conclusões que gostaria de partilhar convosco.
Primeiramente, transcrevo as duas leituras bíblicas indicadas para o dia de hoje (10/06/14): uma do Antigo Testamento e a outra pertencente ao Evangelho Segundo São Mateus.
Primeira Leitura (1Rs 17,7-16)
Leitura do Primeiro Livro dos Reis.
Naqueles dias, 7secou a torrente do lugar onde Elias estava escondido, porque não tinha chovido no país. 8Então a palavra do Senhor foi-lhe dirigida nestes termos: 9“Levanta-te e vai a Sarepta dos sidônios, e fica morando lá, pois ordenei a uma viúva desse lugar que te dê sustento”.
10Elias pôs-se a caminho e foi para Sarepta. Ao chegar à porta da cidade, viu uma viúva apanhando lenha. Ele chamou-a e disse: “Por favor, traze-me um pouco de água numa vasilha para eu beber”. 11Quando ela ia buscar água, Elias gritou-lhe: “Por favor, traze-me também um pedaço de pão em tua mão!”
12Ela respondeu: “Pela vida do Senhor, teu Deus, não tenho pão. Só tenho um punhado de farinha numa vasilha e um pouco de azeite na jarra. Eu estava apanhando dois pedaços de lenha, a fim de preparar esse resto para mim e meu filho, para comermos e depois esperar a morte”.
13Elias replicou-lhe: “Não te preocupes! Vai e faze como disseste. Mas, primeiro, prepara-me com isso um pãozinho, e traze-o. Depois farás o mesmo para ti e teu filho. 14Porque assim fala o Senhor, Deus de Israel: ‘A vasilha de farinha não acabará e a jarra de azeite não diminuirá, até o dia em que o Senhor enviar a chuva sobre a face da terra’”.
15A mulher foi e fez como Elias lhe tinha dito. E comeram, ele e ela e sua casa, durante muito tempo. 16A farinha da vasilha não acabou nem diminuiu o óleo da jarra, conforme o que o Senhor tinha dito por intermédio de Elias.
- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.
Evangelho (Mt 5,13-16)
Evangelho (Mt 5,13-16)
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 13“Vós sois o sal da terra. Ora, se o sal se tornar insosso, com que salgaremos? Ele não servirá para mais nada, senão para ser jogado fora e ser pisado pelos homens.
14Vós sois a luz do mundo. Não pode ficar escondida uma cidade construída sobre um monte. 15Ninguém acende uma lâmpada e a coloca debaixo de uma vasilha, mas sim num candeeiro, onde ela brilha para todos os que estão em casa. 16Assim também brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus”.
— Palavra da Salvação.
Agora, se me permitem, faço uma breve apreciação das leituras, à luz da visão cristã Católica.
Pois bem, vemos na primeira leitura o envio do profeta Elias à Sarepta, velha localidade entre as famosas cidades fenícias de Tiro e Sidônia e que hoje recebe o nome de Sarfand ou Sarafand, no Líbano, se não me engano.
Uma vez lá, é dada a uma viúva a tarefa de alimentar o profeta e sustentá-lo enquanto ele ali estiver.
A viúva, receosa, argumenta que a pouca provisão que possuía só seria suficiente para assar um pão para que ela e o filho comam e depois pereçam de fome. Confiante, Elias insiste para que ela asse o pão para ele e traga-lhe de comer, junto a um copo de água. Solidária, a mulher consente e lhe dá o único alimento. Mas eis que então nem a farinha, nem o azeite e tampouco a água que a viúva possuía se acabam, mas dura por vários e vários dias.
Na leitura do Santo Evangelho vemos a bela e famosa comparação dos apóstolos - e aqui estão inclusos todos os homens e mulheres de boa vontade - com o sal e a luz. Eis que nos é dito: "Vós sois a luz das nações....e o sal da terra".
Que comparação gloriosa!
Ora, não é o sal que dá sabor ao alimento? Não é este mesmo que, inclusive, conserva contra a putrefação?
Ainda, não é a luz que ilumina e permite-nos ver a realidade do mundo com nossos próprios olhos?
E, no entanto, ambos operam - digamos - no anonimato.
Pois de fato é o sal que dá sabor e conserva, mas quando alguém se alimenta ninguém diz: "Que gostoso esse sal!" Mas sim, "Que gostosa essa comida!".
De modo análogo, é a luz que inunda nossos olhos para que vejamos as mais belas paisagens e ainda assim ninguém diz quão bela é a luz mas sim aquilo que ela revela!
Assim devemos nós agir, iluminar um caminho de trevas e conservar o mundo da putrefação iminente! E tudo isso seguindo uma única lei, dada a nós por Jesus em pessoa: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (cf. Mc 12: 31).
E sempre no silêncio! Dando ênfase ao projeto e não ao nosso ego.
É isso que extraio do Evangelho.
Sabendo já a forma como o apostolado cristão se dá, vejamos agora como ele sai do plano da fé, para adentrar o mundo das ações, retomando a primeira leitura:
Elias é o profeta e representa este mesmo apostolado de dedicação.
A viúva e seu filho representam os fracos e marginalizados da sociedade.
Aliás, a própria ambientação - Sarepta, estava situada num local de comum veneração do deus Baal, e não do deus hebraico, o que represente uma espécie de local hostil.
Eis que, no entanto, surge a viúva - figura socialmente e sentimentalmente desgraçada e que, mesmo legada ao relento, mantém a fé na promessa de seu deus. A fé é sua ultima esperança e, assim, mesmo sabendo ser aquele pão o último, ela o dá prontamente a Elias, num sinal de amor e solidariedade.
Vejam, é então que a fé tornou-se fecunda com obras e que, na partilha, obteve sua máxima glória.
Ao confiar na promessa de seu deus, ela deu TUDO o que tinha e, em troca, recebeu muito mais. A viúva foi protagonista, agente ativa no processo de construção de um mundo mais fraterno.
Em verdade, ela poderia ter recusado o pão a Elias - pois essa prerrogativa lhe é garantida pelo livre-arbítrio - e tanto ela e o filho quanto o profeta teriam morrido de fome.
Mas a partilha traz a multiplicação: isso é sempre visível na Bíblia.
Ora, lembrem-se da multiplicação dos pães e peixes por Jesus (cf. Mt 14: 15-20).
Ou, em última instância, da travessia de Moisés sobre o deserto e a forma como o pão sagrado (Maná) caiu miraculosamente sobre eles no momento de maior desespero (cf. Ex 16: 12-20).
Viram? Na nossa pequena divagação percebemos como se dá a comunicação de Deus com o homem e sua ação posterior rumo à uma melhora de mundo.
Ele fala conosco: até então é matéria de fé.
Então a fé se torna obra por meio da CARIDADE, da partilha.
E a partilha por fim multiplica os dons.
No entanto, lembremo-nos sempre que nossas ações devem ter por objeto o bem maior e não nossa própria imagem. Temos nosso valor, mas ele se mostra principalmente no bom andamento da sociedade - como percebemos com a luz e o sal.
Bom, mas questionem-me: "O que isso tudo tem a ver com o problema da propriedade privada?"
TUDO!
Como eu havia dito, talvez o cerne da problemática não seja a existência da propriedade em si, pois o sentimento de posse é algo inerente ao homem e que só se lhe pode ser destituído no plano das ideias.
No entanto, a privação da propriedade pode se resolver: com educação e solidariedade.
Afinal, se todos nós fôssemos solidários não haveria necessidade de ninguém se resguardar - e repito isso de meu HVMILITAS ET VITAE. Pois lembrem-se: o pão era posse da viúva, de fato. Mas ela decidiu dá-lo.
E é exatamente aí que reside o espírito da questão, vejam que sutil:
Porque amar NÃO é coletivizar e estar obrigado a dar.
Amar é possuir e, mesmo possuindo, QUERER DAR.
Que nossa sociedade então aprenda a AMAR, para aprender a partilhar.
Forte abraço!
Pax Domini. ;D
Postagem longaaa, se vc chegou até aqui, meus parabéns! hahahahaha ;D
quarta-feira, 4 de junho de 2014
VENDO MEU RIM PRA PAGAR A FACULDADE
Bom, eu vou postar esse texto porque eu sou
chato, a faculdade está em greve, o que me permite certo tempo de ócio pós-almoço,
e, sobretudo, porque gosto de encher o saco dos meus amigos reacionários, que
apesar de muito conservadores, mais brancos, cristãos e limpinhos do que eu, eu
amo todos de coração.
Tenho acompanhado alguns debates acerca da possibilidade de
se cobrar mensalidade dos alunos da USP. À priori, eu sinceramente acho que não
existem tantos debates assim, à nível de uma amplitude nacional, mas sim, na
cabeça de uma minoria de abastados; o que temos é uma elite minoritária paulista
sedenta por sangue, que domina de modo amplo a mídia (leia-se Folha de São
Paulo, Veja e rede Globo), que grita feito um marreco desesperado, clamando por
“justiça”, querendo resolver de maneira atropelada a “crise do país”, pedindo a
cabeça dos “ditadores comunistas petistas malvadões”, pedindo desesperadamente
para que se prendam os molequinho negros faveladinhos, que mandem os
homossexuais para sanatórios, que espanquem os alunos de filosofia maconheiros,
e que clama pela polícia. Policia, borracha nesses sem vergonhas vagabundos! A
elite quer polícia, a elite do bandido morto, a elite da violência! A elite
quer sangue! A elite tem ódio! Essa é a elite que promove debates do tipo de se
passar a cobrar mensalidade dos alunos das universidades públicas.
E, o que mais me impressiona, é que apesar de tamanha sede
por justiçamento nunca passou pela cabeça da elite nenhuma alternativa para a
resolução de problemas diferente de privatizações e terceirizações. A lógica da
elite é a seguinte, começou a dar merda: vende isso ai. A companhias estatais
dão muito trabalho, vendamos para os americanos! Vendamos nossas mães quando
ficarem velhas para confecções no Brás. Vendamos nossos filhos para fábricas
vietnamitas que costuram tênis nike, ou para as chinesas que fabricam ipods. E
a partir de hoje, eu quero anunciar que meu rim está a venda, e o primeiro
branquelo que chegar com sotaque europeu e me der uma graninha pode levar. Essa
é a lógica da elite. Vamos vender tudo.
Vamos rumo ao progresso e a privataria, afinal nós não valemos nada, não
sabemos de nada, somos incopetentese; somos uns latinos de merda que ainda vivem
em cima de árvores e se locomovem pendurados em cipós. É muito pretensioso da
nossa parte pensar que temos a capacidade de gerir nossa produção, nossa
economia. É um absurdo pensar em educação pública de nível superior, saúde
pública. “Não temos competência pra isso!”
Pois é, mas tem uma coisa que a elite detesta. Essa coisa
está para a elite assim como a criptonita estava para o super-homem. Essa coisa
que a elite odeia não fede enxofre nem tem chifrinhos e um tridente. A coisa
que a elite tem pavor, que é odiosa, deplorável e quaisquer adjetivos que você
encontrar para as coisas mais terríveis, fedidas e nojentas, se resume em duas
palavras: IGUALDADE SOCIAL. Nunca diga isso perto daquele seu amigo reacionário
que defende a ditadura. É mais fácil descrever todo o cenáculo de fogo e
enxofre das profundezas das trevas, morada cão que chupa manga, do que falar em
igualdade social para o pessoal da elite.
É verdade meu amigo, para os reacionários, antes vendamos
nossos rabos para o capital estrangeiro do que nos gestarmos ,a nosso próprio
modo, e às nossas próprias circunstancias. Então, deu merda nas Estaduais. O
governo das elites quer fazer o que? Privatizar a universidade pública. Porque
é a única saída que sabem, e que sempre usaram pra tudo. E não diga o contrário
não. No momento em que escrevo esse texto corro sério risco de policiais militares
baterem a porta de casa e me pegaram numa mão de borrachadas até me largarem
sangrando no chão. Porque aqui em São Paulo é assim que funciona. Falou, não
entendeu, borracha neles. Se rolar um tiro, foi acidental, legítima defesa, ou,
a bala era de borracha, não era pra furar o peito de ninguém. Aproveitem meus amigos, ninguém sabe se
quando voltarmos da greve teremos um boleto de cobrança em nome do seguinte
favorecido: Universidade Estadual Paulista –Julio de Mesquita Filho.
E viva a elite paulistana.
E viva a elite paulistana.
E viva o Pelé, pois como muito bem disse à pouco tempo: “o
que importa nesse país é a seleção.”
segunda-feira, 2 de junho de 2014
Humilitas et Vitae
MANIFESTO
“HVMILITAS ET VITAE”
CARTA LEIGA AO POVO CRISTÃO E A TODOS OS HOMENS DE BOA VONTADE E EM COMUNHÃO ESPIRITUAL.
SOBRE A VIDA NA HUMILDADE E NO AMOR.
INTRODUÇÃO
1. A Nova Vida a qual somos chamados por Cristo depende unicamente de uma transformação interior. É abandonar a alegria dos prazeres momentâneos em detrimento de uma alegria mais profunda, que se sente em comunidade e no mais profundo da alma. O seguimento a Deus não é promessa de uma vida cheia de glória ou tampouco uma estrada sem obstáculos, mas simplesmente um novo caminho tendo por luz um amor eterno que é, ao mesmo tempo, o consolo na escuridão e o almejado local para onde todas as alegrias se convergem. Na verdade, esta mesma luz que é “capaz de iluminar toda a existência do homem” (cf. Encíclica Lumen Fidei), vem unicamente até nós quando, por amor à Palavra, nos desprendemos de nós mesmos em prol de uma vida pautada na humildade e na fraternidade, o que nem sempre se mostra fácil. Nesse quesito, mesmo os maiores esforços pelo progresso, apartados do amor verdadeiro, como bem explicita o papa Bento XVI em sua Carta Encíclica Deus Caritas Est, mostram-se estéreis, posto que jamais suscitarão o que de fato deve ser frutificado por cada homem, de acordo com cada individualidade: o amor fraterno por cada criatura de Deus. Assim, serão utilizados fatalmente como objeto de negligência e exaltação do orgulho, apartando o homem do divino.
I PARTE
SOBRE O AMOR NA ORAÇÃO
2. Em comunhão com o que diz o Papa Bento XVI na Carta Deus Caritas Est, “o amor é uma única realidade, embora com distintas dimensões”. E todas essas dimensões convergem em Deus, posto que “Deus é amor” (cf. 1Jo 4,8). Esta é uma visão ampla que pode fugir aos preceitos de várias religiões, mas creio ser lícito afirmar com toda simplicidade que basta conhecer o amor para conhecer Deus. Ainda que toda a riqueza inerente à liturgia possa ajudar a potencializar a percepção de toda esta espiritualidade, sem a pureza e a simplicidade do amor, cairíamos no preciosismo, exaltaríamos o culto à forma e nos esqueceríamos da essência de qualquer religião: a caridade como demonstração da fé e do amor. Esse mesmo amor, fruto de uma mortificação pessoal e de sacrifícios que obviamente vão além de interesses próprios, consiste naquilo que de fato é Deus e, ao mesmo tempo, no que se formalizou como o testamento de Jesus para nós: “Ame ao próximo como a ti mesmo” (c.f. Lc 10, 25-28). Esse sentimento novo, apartado de preconceitos e cisões, é o que aproxima a sociedade da forma mais fiel e bela possível. É a consciência máxima de que, posto ser o amor o próprio Deus, nós mesmos somos partes de Deus enquanto agentes ativos desse amor. Assim, a comunidade unida em oração nas assembléias, igrejas e campos se unem formando o próprio corpo de Deus, donde Cristo fez-se cabeça.
3. Aliás, no exercício pleno da oração é importante nos recordarmos deste mesmo amor incondicional a todo homem – o que de fato traz a unidade. Amar é reconhecer a função de cada ser como partícula especial do Santo Corpo de Deus e mais do que tudo, zelar pela integridade de cada uma dessas partículas. Deste modo, a vivência plena do amor requer o comprometimento de cada um seja no âmbito espiritual, seja no campo físico, pois “a fé sem obras é morta” (c.f. Tg 2, 14-17 ).
4. Caminhando pela vida, no entanto, percebemos que a prática do amor e da humildade se mostra uma verdadeira Via Crucis. De fato, amar quem te ama, ser gentil com quem te é caro e se sacrificar por quem se conhece é mais fácil – posto que a afeição leva naturalmente a uma predisposição ao bem. Contudo, é nos ditos inimigos e estranhos e nos momentos de escuridão e solidão que o amor vem mostrar sua verdadeira face como redentora de toda a humanidade. São nesses momentos precisamente que a misericórdia divina se mostra universal e acolhedora, e é então que a alma se enche de alegria, pois mesmo frente a todos os problemas exteriores, interiormente reina a estabilidade. Estabilidade fruto da confiança, da fé e do amor. De fato, qual gesto há de mais humilde do que se entregar integralmente aos desígnios de Deus? Se entregar por amor completa o homem e une a sociedade: É preciso se entregar para integrar e, assim, sejam nossas vidas nossas maiores provas de amor e de humildade. Sejam nossos gestos cotidianos, a maior oração a Deus, aquela que verdadeiramente o honra como Criador e Amor Original.
5. Mergulhados neste aspecto, devemos nos utilizar da singela oração cotidiana como instrumento salvífico para cada irmão em Cristo, independentemente de suas ações, afinal “não há um homem justo sequer” (c.f. Rm 3, 10-11). Ademais, devemos ter plena consciência de como as manipulações econômicas e a ineficiência dos governos cria o caos social, representado aqui pela própria figura de pessoas que, sem outra opção, recorrem à criminalidade. Tais pessoas figuram como vítimas de um sistema falido e, ainda, são julgados e condenados sumariamente. De fato, munidos da divindade emanada pelo Espírito Santo, é nosso dever enquanto sucessores dos apóstolos de Cristo, ungidos pela Palavra e pela ação batismal, nos apartarmos de tais julgamentos e unicamente orarmos pela salvação de cada alma, segundo o sacrifício de imolação do Cordeiro de Deus, enquanto tomamos as devidas providências como cidadãos para que através de nossos líderes, uma sociedade mais fraterna possa ser construída.
II PARTE
SOBRE COMO O AMOR E A HUMILDADE SE FAZEM NECESSÁRIOS NO PRESENTE
6. Não é preciso ir muito longe para encontrarmos exemplos de como a falta de amor afeta a sociedade. Em verdade, mesmo que não de forma intencional, o mais justo dos homens fere seu irmão o tempo todo num mundo onde muitas vezes o próprio consumo está intimamente ligado às mais diversas formas de exploração. Assim, é mais do que necessário voltarmos nosso olhar de uma forma mais cuidadosa sobre aquilo que é verdadeiramente nosso dever: o comprometimento integral não somente com cada homem, mas com todos os seres da criação. Afinal, como nos ensina o Credo Niceno-Constantinopolitano, foi um só Deus quem fez todas as coisas. Portanto, àquele que de fato deseja ser discípulo de Cristo não muito é pedido. Em verdade, duas coisas, creio, poderiam ser isoladas como sendo as principais diretrizes na vida de um servo de Cristo: a humildade e o amor - que figuram em toda a vida de Jesus e de seus santos e que também titulam o presente manifesto.
O AMOR
7. No decorrer de nossas vidas não só a sociedade ao nosso redor, mas também – e principalmente – a mídia anseia por inserir conceitos no interior de nossas mentes e corações para que possamos servir aos seus propósitos. Nesse contexto, o amor é posto, em geral, sob duas formas:
a) Como a satisfação de desejos imediatos – como é o caso quando se fala em amor a um produto qualquer: seja um objeto tecnológico, alimentício, ou uma peça de vestuário. Nesses casos, faz-se confusão entre uma necessidade primária ou mesmo supérflua e o contentamento ao satisfazer tal necessidade com o sentimento de amor – que inclusive muitas vezes pressupõe a não satisfação dos próprios desejos em função de um bem maior.
b) Como a satisfação de paixões ou desejos instintivos – como é o caso quando se postula como amor a simples atração física entre duas pessoas ou os desejos sexuais envolvidos numa relação.
8. De fato, o ato sexual em si é uma entre tantas manifestações de amor que existem. Contudo, o mundo passa por uma época onde o amor se encontra reduzido ao sexo, o que é insustentável. Acaso água é chuva? Ou seria a chuva somente uma das várias formas sob as quais a água vem até nós? A afirmação da última sentença nos parece óbvia, e o mesmo se aplica no caso do amor. A redução do amor a um simples ato, seja de qual natureza for, acaba por diminuir a grandeza de tal sentimento que - diga-se de passagem - jamais poderia ser resumido à nenhum sub-conceito sem que se perca a majestade dessa força criadora, revitalizadora e que tornou possível até mesmo a ressurreição dos mortos. É na verdade um Estado de graça, no qual todos somos redimidos e ao qual somos irrefutavelmente inerentes. O amor é antes de tudo a entrega, a temperança e o cuidado. É o companheirismo em todos os sentidos, em todos os momentos.
9. Assim, em ordem de nos tornarmos servos de Deus, é necessário ter consciência desse amor, vivê-lo, e fazer frutificar este sentimento que nos é tão lindo. É o fazer o bem, sem acepção de pessoas. Tomando as Escrituras, há uma belíssima parábola no Evangelho segundo São Lucas que narra a viagem de um samaritano (c.f. Lc 10, 30-37). Quando o samaritano vê um estranho caído, toma providências para que ele seja cuidado. Sem conhecer o homem e mesmo tomando prejuízos financeiros, o samaritano acolheu o viajante em seu coração, sem interesses, sem se preocupar em quem era o estranho: bom ou mau homem. É essa a lição que devemos tirar dessa leitura: que o bem e o amor justificam o homem. Assim, mesmo a fúria e a violência a criminosos, por exemplo, são injustificáveis, pois fechariam o ciclo de horrores que o mundo presencia hoje. Não há méritos para juiz moral entre os homens. Os criminosos devem sim ser julgados, mas implantando sanções civis que visem a reintegrá-los à sociedade. No entanto, puni-los simplesmente por raiva é absurdo, pois a vingança, o ódio e o sádico sentimento de infligir dor jamais podem ser usados como medida para julgamentos. Não quando o próprio Deus feito homem se sacrificou por todas as criaturas, independente de seus erros e suas negligências. Julgar com ódio, desonra o sacrifício de Cristo e nos tira de sintonia com o Amor do qual fazemos naturalmente parte. Assim, oremos aos céus para que o amor sempre se faça presente em nossas vidas, mesmo e principalmente nos momentos de trevas em nossos corações - quando toda a escuridão parece justificar a raiva, parece trazer alento para o espírito. Um alento que só o amor de fato traz.
A HUMILDADE
10. Talvez ainda mais difícil do que o amor, seja viver a humildade. Em verdade, mesmo o mais belo dos anjos caiu por falta deste sentimento a ponto de se deixar perder totalmente do amor e se tornar algo desfigurado que hoje conhecemos como Satanás. De fato, é possivelmente quando estamos em maior estado de graça ou quando melhor nos situamos em nossas vidas, espiritualmente e sentimentalmente, que nos falta este sentimento tão sublime. De forma silenciosa, como um ladrão, ela nos ataca (a arrogância, o orgulho) e se infiltra em nossos corações de forma avassaladora, fazendo crer que nós mesmos nos bastamos ou que de alguma forma já fizemos o suficiente ou que somos dignos de algum mérito. Nunca podemos dizer que já fizemos o suficiente, não em um mundo onde a miséria física e espiritual reinam. Não há mérito naquilo que fazemos, posto ser nossa obrigação como partes de um coletivo. Não há necessidade de mérito onde prevalece o amor, pois a felicidade alheia deve ser sempre o maior dos presentes.
11. Tomando novamente as Escrituras, percebemos como a humildade sempre foi determinante no seguimento da fé. Vemos nos patriarcas e nos santos, mas é sobretudo na virgem Santíssima, que percebemos como a serenidade de Espírito favorece a caminhada cristã. Maria, ao ser visitada pelo anjo, responde: “Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra” ( Lc 1, 38). Ainda, nos versículos que se seguem nos é exposto a linda oração do Magnificat, uma verdadeira profissão de fé e humildade. De fato, toda a vida de Maria se resumiu à servidão de uma forma tão fiel e pura que até hoje nunca se viu igual – e por isso mesmo tornou-se ela a rainha dos céus e da terra. É, portanto, verdade que este sentimento atua como purificador e mediador entre a graça e a mediocridade humana, e torna digno por graça o que não o é por natureza. Maria foi grande sendo pequena, foi sublime sendo mísera diante de Deus. Talvez tenha ela entendido mais do que qualquer outro que a realeza cristã está em servir. De fato, onde estaria a nobreza de um reino onde seu soberano morreu servindo ao povo? Onde estaria a majestade de um reino cujo rei portou uma coroa de espinhos e cujo manto rubro fora tingido por seu próprio sangue? Só em corações cheios de amor, transbordantes de caridade. E assim podemos ver quão bela é a mensagem de Cristo e quão penoso foi sua empreitada - sua paixão por nós e que continua em nós viva e transformadora.
12. Aliás, não é só na concepção de Cristo através de Maria e na própria vida do salvador, mas também na fundação da igreja que vemos a importância da humildade: Quando Simão, o pescador, professa sua fé em Cristo ( Mt 16, 13-20 ), é então que ele deixa de ser um homem e passa a ser a pedra base do cristianismo – ele é Pedro. A pedra fundamental da igreja é – agora explicitamente – a prontidão ao servir com modéstia e temperança. De fato, no decorrer do Evangelho supracitado, bem como nas demais epístolas petrinas, vemos diversas características que fazem de Pedro um líder bastante humanizado, com os mais diversos defeitos e faltas. Em verdade, é sua prontidão a seguir com fé mesmo nos piores momentos – inclusive em seu martírio – que faz dele o legítimo Santo Padre da Igreja, o Papa.
13. Sob tais aspectos, aos que desejam viver uma vida íntegra e santa, vemos que não é pedido nada que aspire à perfeição. É requisito básico sim o cuidado ao próximo como regra primaz de nossos ministérios, mesmo que esse cuidado, traduzido em respeito, às vezes pareça romper com antigas tradições. Contudo, sobre isto as próprias Escrituras nos ensinam, deixando claro que o homem deve servir antes ao mandamento universal de amor e depois às tradições (c.f. Mt 15, 1-9). Assim, devemos nos utilizar da oração não só como um ato de entrega e humildade como também um auxiliar no processo de dignificação das ações do homem, segundo a vontade do Pai, enquanto caminhamos em nossas próprias “Paixões” que culminarão na nossa morte – e de nossos pecados – e ressurreição triunfante com Cristo e em Cristo.
CONCLUSÃO: UMA BUSCA CONSTANTE
14. A vivência do amor cristão pede a entrega e a dedicação em tempo integral ao mundo. Aliás, fossem todos os homens generosos e íntegros, não haveria necessidade de ninguém se resguardar. Desta forma, a humildade se mostra como uma busca constante que só pode ser alcançada na eternidade, é como um tesouro que só é digno daqueles que o buscam incansavelmente. Ainda, o amor é a unidade construtiva que respeita e engrandece as individualidades, é como se o próprio Deus tivesse se deixado ser fruto de várias interpretações para mostrar que sua grandeza não é digna de ser compreendida por um só indivíduo, mas vivida por todo o seu povo. Sigamos, pois, São Paulo, quando este diz na sua Primeira Carta a Timóteo: “Quero, pois, que os homens orem em todo lugar, levantando as mãos santas, sem iras nem discussões.” (cf. 1Tm 2, 8). Sigamos Maria Santíssima em sua profunda entrega e humildade. Sigamos Pedro no comando da igreja santa. Sigamos os santos em suas empreitadas rumo à mudança do mundo. Mas, acima de tudo, sigamos nossos corações, onde jaz adormecida toda a divindade e todo o conhecimento de que necessitamos para realizar desde já o Reino de Deus, um reino de paz e alegria. Distante, não utópico. Um Jardim místico que já existe embrionário na esperança e na fé e que será regado pouco a pouco com suor e sangue do povo, crescendo, morrendo e se renovando em seguida – como é a lei da vida.
Dado em Franca, junto ao altar de nossa padroeira Aparecida, no dia 06 de Outubro – festa de São Bruno Abade – do ano de 2013, primeiro do Pontificado de Francisco.
A serviço da Santa Sé, do Santo Padre e de todas as criaturas, tomo o presente como diretriz,
MARIANO
O (RE)ENCONTRO
04:29
1 comentário
Era já uma senhora, beirando
os seus cinquenta e poucos anos, cabelos longos caídos nos ombros, muito
bonita; porém nos olhos carregava um vazio e o sorriso, antes tão expressivo,
já não se fazia mais presente.
Acabara de limpar uma fita VHS e a colocava em
seu aparelho, muito antigo, mas ainda o guardava justamente para esse fim:
rodar essa única fita. Alguns diriam que ela estava perdendo mais um dia de sua
vida, porque desde criança assistira ao mesmo filme incontáveis vezes. Ela, no
entanto, respira, e sabe que estava apenas fazendo um eterno resgate de si
mesma.
A fita roda dentro do
aparelho, começa o som melancólico de um filme da Disney, quando pequena acreditava
apenas que o enredo do filme era atraente, já adulta percebeu que não, amava-o
porque nele se identificava, porque na história daquela heroína estava todo o
seu ser.
Começava a se desenhar na tela as montanhas, a muralha, a China; o
filme começara e surgira ela: Mulan; era uma animação pertencente a série das
princesas da Disney, baseada, no entanto, em na lenda de uma China imperial,
estamental; na qual a mulher não tinha voz, nem vez. Eis que surge Mulan, que
nega toda a sua tradição e, como forma de salvar o pai assume o lugar dele no
exército e se torna um excelente soldado, chegando, inclusive, a salvar a vida
da população chinesa, porque o território havia sido invadido por hunos.
Ela via as cenas, Mulan sendo
recusada pela casamenteira, buscando saber quem era, cortando os cabelos,
entrando para o exército, aprendendo a ser soldado, sendo descoberta, sendo desacreditada e depois vendo a China curvar-se
diante dela; os olhos repletos de água. Nunca quis que ninguém se curvasse diante
dela, porque via em Mulan uma mulher, comum, ela não era princesa nem se torna
uma, não se casa com um príncipe; só queria ajudar, buscar seus ideais e também
a igualdade.
Ela lembra-se aqui das três
lições que aprendeu com o filme, com a guerreira – porque para ela, Mulan era
mais guerreira que heroína. Aprendeu que por vezes o certo não é aquilo que nos
foi imposto, nem o que se espera de nós, mas o que acreditamos ser e que o amor
transmitido para o outro, independente se é ou não nosso parente, deve
prevalecer e devemos lutar por ele – lutar pelo outro, com coragem e bravura.
Aprendeu também que como
mulher não deveria ser passiva ou submissa, que deveria buscar a igualdade;
hoje acreditava que a igualdade se estende a todos independente do gênero ou
opção sexual.
E por fim, quando inúmeras
vezes, vendo a mesma história, o mesmo enredo; aprendia que era necessário
voltar à infância para recordar quem era, independente se a realidade não
fizesse mais qualquer sentido, sempre era possível reencontrar o ideal pelo
qual lutar, pelo qual morrer, se necessário. Reencontrar o outro,
reencontrar-se, reencontrar a si mesma no outro e ao outro em si mesma.
Limpava os olhos e agora
sorria, ela se lembrara, sim se lembrara de quem era... Ela era também Mulan!
domingo, 1 de junho de 2014
A utopia das flores
As ruas estavam quietas a meia noite. Costumavam ser o
cenário constante das suas caminhadas solitárias quando os problemas o afligiam
interrompendo o sono. Ontem estavam especialmente belas depois de uma garoa
fina, com a iluminação fraca dos postes.
Andava mergulhado em pensamentos soltos e desconexos quando
algo lhe chamou a atenção. As Flores brancas daquele jardim novamente
apareceram. Uma cena confusa, quase paradoxal em vista do cenário noturno
predominante em tons escuros e monótonos.
Não bastasse a beleza, as flores também exalavam um perfume singular com o qual já se familiarizara em determinados meses do ano.
Não bastasse a beleza, as flores também exalavam um perfume singular com o qual já se familiarizara em determinados meses do ano.
Lembrou-se de coisas que haviam acontecido na ultima vez que
as flores apareceram ali. Lembrou-se de quando roubara sem culpa um botão branco para presentear a menina linda
que o acompanhava, e que naquele momento não só tornara-se dona da flor, mas
também do seu coração. Como era linda a menina; e a flor.
Lembrou-se das pessoas que haviam partido dês de que vira
pela ultima vez aquelas flores. Sentiu saudades; das pessoas, da menina e das
flores; que naquele momento reapareciam ali, diante dos seus olhos. Mas onde
estavam as pessoas que se foram? E a menina linda?
Voltou às flores. Como as amava. Porque simplesmente não permaneciam como um presente eterno? E as pessoas? E a menina? Estava confuso.
Percebeu enfim que acabara de descobrir o sistema mais simples e belo de medida de tempo. Todas as vezes que visse os botões brancos, ou sentisse novamente o cheiro doce entrando pela janela do seu quarto saberia que um ano daria lugar a outro e que assim seria infinitamente, numa exatidão perfeita e natural.
E as pessoas que se foram? E a menina linda?
Eternos nas flores.
Voltou às flores. Como as amava. Porque simplesmente não permaneciam como um presente eterno? E as pessoas? E a menina? Estava confuso.
Percebeu enfim que acabara de descobrir o sistema mais simples e belo de medida de tempo. Todas as vezes que visse os botões brancos, ou sentisse novamente o cheiro doce entrando pela janela do seu quarto saberia que um ano daria lugar a outro e que assim seria infinitamente, numa exatidão perfeita e natural.
E as pessoas que se foram? E a menina linda?
Eternos nas flores.
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