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sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Monólogo vermelho - parte 2

O período de vacas gordas em que meus pais fizeram carreira em empresas multinacionais lhes rendeu uma casa sem portão num daqueles bairros nobres cercados por grandes muros, aos moldes dos feudos medievais. Hoje, em contrapartida, ambos, meu pai e minha mãe, aposentados, não desfrutam mais da bonança dos vencimentos gordos no final do mês; e apesar da aparente “boa condição financeira” (digo aparente somente devido ao fato do imóvel familiar estar posto em bairro nobre), vivem uma vida absolutamente modesta, como a maior parte da população do país.
Então, pela manha, quando nos sentávamos ao café, meu pai retornou da sua caminhada  matinal irritado.
 - É um absurdo! A empregada da Fulana regando o jardim. Não sabem que a água está acabando. A empregada da Ciclana lavando a calçada. A água está acabando! Eu não aguentei e fui conversar com as duas. A resposta que me apresentaram foi a mesma: “Ordens da patroa, converse com ela”. Será que essas pessoas não sabem do problema da seca em São Paulo?
Eu:
- É claro que sabem pai. Sabem; mas não se importam. Ontem eu li uma reportagem que dizia que os bairros que tiveram uma menor economia no consumo de água no estado foram os bairros mais abastados. Como dizia a professora Marilena Chauí, isso ai é a “síndrome da classe média”, “a classe média paulista é uma abominação  ideológica”.
Então, ele sorriu ironicamente. E eu, já velho de guerra, esperava a ilustre pergunta que ele não tardou dois segundos a fazer:
- E você, o que é? 
-Eu sou de esquerda, pai...
- Esquerda, direita; tudo isso não existe. Todas essas bobagens só te afastam dos caminhos do Senhor.
- Exatamente! Só não posso concordar que são bobagens.
Então, envenenado pelo meu proselitismo político, eu mais uma vez vestia o meu terno vermelho, corri buscar o meu Le Monde Diplomatique do Brasil (n° 87, desse ano) que eu coloquei dobrado abaixo das minhas axilas, com os ilustres dizeres na capa: “A esquerda no Brasil”.
Assim, como um pastor protestante, imaginei um púlpito e uma platéia de ouvintes, projetei a minha voz de modo a tornar claro e convincente o discurso (técnicas simples que melhoram muito a oratória), e veementemente iniciei a minha pregação:
- Enquanto o capitalismo produzir a aumentar a desigualdade social, enquanto o capitalismo ampliar o abismo entre ricos e pobres, enquanto o capitalismo impor uma vida miserável ao infindável contingente de trabalhadores, será preciso enfrentar esse modelo de produção e de organização social, que toma a roupagem do neoliberalismo. Tudo o que os tubarões neoliberais da direita querem é concentrar a riqueza, é monopolizar os lucros das grandes empresas, é criar um sistema de injustiças que mantem uma minoria de abastados em detrimento à um contingente de miseráveis. A esquerda, na contramão, quer que as riquezas se transformem em bem-estar para toda a sociedade.
Na atualidade, a esquerda se opõe à políticas neoliberais; políticas essas que querem a eliminação dos direitos e benefícios dos trabalhadores, que prezam pela destruição de benefícios sociais como o acesso à saúde e educação publicas. Ser de esquerda é defender políticas públicas universais, para a manutenção e ampliação de direitos públicos comuns, disponíveis para todos, gratuitos, custeados pelos impostos de todos, e não pagos pelo usuário.
Ser de esquerda é se colocar em favor da sustentabilidade ambiental, da diversidade cultural, da igualdade entre raças, gêneros. É se colocar sob uma ótica livre de estigmas no trato de questões antigas como drogas e aborto.
Enfim, ser de esquerda é se colocar contra os mecanismos opressivos e exploratórios, contra as políticas segregacionistas, e acima de tudo, ser de esquerda é salvaguardar uma sociedade mais justa a todos; todos aqueles que pensam assim, são esquerdistas.
E no momento clímax, do meu discurso, quando já emocionado, eu pensava em subir na mesa e declamar em alto e bom tom os versos do hino da Internacional Comunista; percebi que estava sozinho na cozinha. Meu pai havia se retirado. Estava na sala, acreditando no cara de terno e gravata que apresenta o jornal da manhã.










sexta-feira, 27 de junho de 2014

Ódio à luz de Freud


De: Cassandra
Para: Jair


Eu te odeio, Jair
Eu te odeio porque você é um bosta, Jair
Eu te odeio porque você me provoca, Jair
Eu te odeio porque eu te quero
Eu te amo Jair
Eu te amo




segunda-feira, 16 de junho de 2014

Saudade

Acho que essa história já foi contada sob a ótica de cada um, e sem dúvida, já li relatos maravilhosos que me fizeram chorar; como o texto de despedida da Julia, ou os textos do blog do Lucas, que eu sempre leio e me remetem à nostalgia daquele 2011, um dos melhores, mais tristes e nostálgicos anos da minha vida.
Vocês sabem quem sempre fui dado às letras, e só não me pronunciara antes porque, de certa forma, tive de blindar o peito contra a profunda tristeza que me acometeu em vista da minha desistência da Universidade Federal do ABC, e nunca tive a oportunidade expressar o meu pesar, que ficara registrado naquelas poucas palavras frias escritas no meu violão com o qual presenteei a pessoa da qual meu texto pretende tratar, nossa Goretinha.
Maria Gorete era a governanta da nossa casa, que como todos os lares decentes de estudante, também tinha um apelido, “pensão da Vó Flávia”.  Éramos por volta de 20 garotos e garotas sob a responsabilidade dela.
No começo, haja vista nossa empolgação embasbacada tão comum aos “bixos”, demos um pouco de trabalho. Uma semana desaparecia alguém, ela tinha de ligar pros pais que ficavam desesperados; então o sumido sempre aparecia no momento em que se pensava comunicar a polícia; algumas noites depois alguém dormia bêbado no telhado (nosso telhado era chamado de “país das maravilhas”; dispenso explicações); em alguma noite, tinha uma festa rolando no quarto de alguém, as escondidas; mas também tinham as noites malucas pré provas nas quais virávamos estudando na nossa querida salinha de estudos. Em todos esses momentos, a Gorete esteve ali, ao nosso lado, brincando, nos dando bronca, cantando, rindo e até chorando.
Juro que se eu pudesse, passaria no papel cada lembrança daqueles anos sofridos que ainda me acometem a memória, mas se há algo de belo na vida, é a tristeza advinda da nostalgia das lembranças que se perdem à memória conforme o tempo passa, então não o farei. Mas confesso-lhes que, de tantos momentos bons que passei ao lado de vocês, alguns dos mais proveitosos se resumiram em minhas conversas com a Gorete, naquelas tardes frias, quando eu preparava um cafezinho e nos sentávamos na cozinha para papear, logo após o almoço.
Tão logo eu percebera o potencial dramático do que me contava eu me atinha cada vez mais aos momentos em que passávamos conversando. Então quando o café esfriava e os afazeres voltavam a vir a tona, nos despedíamos. Então, eu corria pro meu quarto e anotava as suas histórias, suas paixões, as suas músicas; e com isso fui pouco a pouco juntando partes que mais tarde me renderiam alguns capítulos de um romance.
Meu texto versa de maneira não real acerca de ninguém e de todos;  apenas embasado em partes das histórias que ouvia, e da minha inspiração triste das despedidas matinais na esquina da Castro Alves com a Tamandaré, tristeza suficientemente inspiratória para que começasse a rabiscar essas palavras;
Mostrarei algumas páginas:

Tamandaré

Prólogo:  Memórias de um suicida.

“Não há nada a temer,
 a não ser as palavras.
 As margens são ilusões.”

Este poderia ser um texto com a intenção de um pedido de desculpas a todos vocês que amei de maneira singular, ou uma tentativa vil de justificação à minha desistência.
Apesar disso, diz-se que um verdadeiro escritor não deve morrer antes de versar ao menos um romance, e como já lhe havia prometido à jornalista G. B., e ela a mim que se comprometeria ao menos resguardá-lo, deixo-vos aqui o legado, primogênito e único que, na verdade, nada tem de diferente das porcarias que qualquer medíocre aventureiro as letras possa produzir num dia nublado ao som de Carlos Gardel. Mas como as mães que esbanjam cuidados para com os filhos, assim são os escritores com seus romances. Para os que duvidam do excesso de zelo com a obra, lembrem-se de Camões, e aqui no que dizem as más línguas, que no lendário episódio de um naufrágio preferira salvar o seu exemplar original dos Lusíadas à Dinamene, sua companheira até então.
Não somente por cuidado escreve-se, antes pois por vaidade tola, na esperança de ter a obra intercambiada entre os demais e com isso concretizar o eterno sonho utópico; eternizar-se. O Dilema de Aquiles, vida plena ou reconhecimento perante os homens. Diante da ideia, digo que não há outra maneira para fazê-lo se não por meio das palavras. “E disse Jesus: Eu sou o principio e o fim”.
O único contraponto, se assim o posso chamar, que o leitor não há de encontrar no texto, se não implicitamente de modo meramente sutil, é a fonte de inspiração da qual me deleito; uma tristeza profunda de alma, algo inquietante que me corrói os ossos dia após dia. No exato momento em que verso essa página já estava morto em vida.

São Paulo, Janeiro, 2013.



quarta-feira, 4 de junho de 2014

VENDO MEU RIM PRA PAGAR A FACULDADE

Bom, eu vou postar esse texto porque eu sou chato, a faculdade está em greve, o que me permite certo tempo de ócio pós-almoço, e, sobretudo, porque gosto de encher o saco dos meus amigos reacionários, que apesar de muito conservadores, mais brancos, cristãos e limpinhos do que eu, eu amo todos de coração.
Tenho acompanhado alguns debates acerca da possibilidade de se cobrar mensalidade dos alunos da USP. À priori, eu sinceramente acho que não existem tantos debates assim, à nível de uma amplitude nacional, mas sim, na cabeça de uma minoria de abastados; o que temos é uma elite minoritária paulista sedenta por sangue, que domina de modo amplo a mídia (leia-se Folha de São Paulo, Veja e rede Globo), que grita feito um marreco desesperado, clamando por “justiça”, querendo resolver de maneira atropelada a “crise do país”, pedindo a cabeça dos “ditadores comunistas petistas malvadões”, pedindo desesperadamente para que se prendam os molequinho negros faveladinhos, que mandem os homossexuais para sanatórios, que espanquem os alunos de filosofia maconheiros, e que clama pela polícia. Policia, borracha nesses sem vergonhas vagabundos! A elite quer polícia, a elite do bandido morto, a elite da violência! A elite quer sangue! A elite tem ódio! Essa é a elite que promove debates do tipo de se passar a cobrar mensalidade dos alunos das universidades públicas.
E, o que mais me impressiona, é que apesar de tamanha sede por justiçamento nunca passou pela cabeça da elite nenhuma alternativa para a resolução de problemas diferente de privatizações e terceirizações. A lógica da elite é a seguinte, começou a dar merda: vende isso ai. A companhias estatais dão muito trabalho, vendamos para os americanos! Vendamos nossas mães quando ficarem velhas para confecções no Brás. Vendamos nossos filhos para fábricas vietnamitas que costuram tênis nike, ou para as chinesas que fabricam ipods. E a partir de hoje, eu quero anunciar que meu rim está a venda, e o primeiro branquelo que chegar com sotaque europeu e me der uma graninha pode levar. Essa é a lógica da elite.  Vamos vender tudo. Vamos rumo ao progresso e a privataria, afinal nós não valemos nada, não sabemos de nada, somos incopetentese; somos uns latinos de merda que ainda vivem em cima de árvores e se locomovem pendurados em cipós. É muito pretensioso da nossa parte pensar que temos a capacidade de gerir nossa produção, nossa economia. É um absurdo pensar em educação pública de nível superior, saúde pública. “Não temos competência pra isso!”
Pois é, mas tem uma coisa que a elite detesta. Essa coisa está para a elite assim como a criptonita estava para o super-homem. Essa coisa que a elite odeia não fede enxofre nem tem chifrinhos e um tridente. A coisa que a elite tem pavor, que é odiosa, deplorável e quaisquer adjetivos que você encontrar para as coisas mais terríveis, fedidas e nojentas, se resume em duas palavras: IGUALDADE SOCIAL. Nunca diga isso perto daquele seu amigo reacionário que defende a ditadura. É mais fácil descrever todo o cenáculo de fogo e enxofre das profundezas das trevas, morada cão que chupa manga, do que falar em igualdade social para o pessoal da elite.
É verdade meu amigo, para os reacionários, antes vendamos nossos rabos para o capital estrangeiro do que nos gestarmos ,a nosso próprio modo, e às nossas próprias circunstancias. Então, deu merda nas Estaduais. O governo das elites quer fazer o que? Privatizar a universidade pública. Porque é a única saída que sabem, e que sempre usaram pra tudo. E não diga o contrário não. No momento em que escrevo esse texto corro sério risco de policiais militares baterem a porta de casa e me pegaram numa mão de borrachadas até me largarem sangrando no chão. Porque aqui em São Paulo é assim que funciona. Falou, não entendeu, borracha neles. Se rolar um tiro, foi acidental, legítima defesa, ou, a bala era de borracha, não era pra furar o peito de ninguém.  Aproveitem meus amigos, ninguém sabe se quando voltarmos da greve teremos um boleto de cobrança em nome do seguinte favorecido: Universidade Estadual Paulista –Julio de Mesquita Filho.
E viva a elite paulistana.

E viva o Pelé, pois como muito bem disse à pouco tempo: “o que importa nesse país é a seleção.”

domingo, 1 de junho de 2014

A utopia das flores



As ruas estavam quietas a meia noite. Costumavam ser o cenário constante das suas caminhadas solitárias quando os problemas o afligiam interrompendo o sono. Ontem estavam especialmente belas depois de uma garoa fina, com a iluminação fraca dos postes.
Andava mergulhado em pensamentos soltos e desconexos quando algo lhe chamou a atenção. As Flores brancas daquele jardim novamente apareceram. Uma cena confusa, quase paradoxal em vista do cenário noturno predominante em tons escuros e monótonos.
Não bastasse a beleza, as flores também exalavam um perfume singular com o qual já se familiarizara em determinados meses do ano.
Lembrou-se de coisas que haviam acontecido na ultima vez que as flores apareceram ali. Lembrou-se de quando roubara sem culpa um  botão branco para presentear a menina linda que o acompanhava, e que naquele momento não só tornara-se dona da flor, mas também do seu coração. Como era linda a menina; e a flor.
Lembrou-se das pessoas que haviam partido dês de que vira pela ultima vez aquelas flores. Sentiu saudades; das pessoas, da menina e das flores; que naquele momento reapareciam ali, diante dos seus olhos. Mas onde estavam as pessoas que se foram? E a menina linda?
Voltou às flores. Como as amava. Porque simplesmente não permaneciam como um presente eterno? E as pessoas? E a menina? Estava confuso.
Percebeu enfim que acabara de descobrir o sistema mais simples e belo de medida de tempo. Todas as vezes que visse os botões brancos, ou sentisse novamente o cheiro doce entrando pela janela do seu quarto saberia que um ano daria lugar a outro e que assim seria infinitamente, numa exatidão perfeita e natural.
E as pessoas que se foram? E a menina linda?
Eternos nas flores.




quinta-feira, 29 de maio de 2014

Monólogo vermelho - Parte 1


-Xeque.
- É... nós continuamos usando as mesmas jogadas desde os dezoito. Você aparece cinquenta anos mais novo e, pro nosso desgosto, percebo que não evoluímos nada no jogo.
- Apesar de velho, você está menos gagá e mais irritante do que presumira.
Jogávamos Xadrez no asilo no qual fora internado. Eu com vinte e eu com setenta, o velhote brocha, pelancudo e fedendo a mijo que me tornara. Sem mais pormenores, não vou explicar a aurora de tal reunião. Dane-se o leitor. Voltemos a nós dois.
- Pretendo escrever um conto narrando nosso encontro.
- Seu idiota, Borges já fez isso num conto que você leu aos 22.
 - Mas eu ainda tenho 21.
- Isso significa que você ainda não o leu. Então escreva antes de ler o conto para não tender a plagiá-lo! A ideia ainda é original; mas saiba que você será um fiasco como escritor. Brasileiro não tem nada pra falar. Entendemos de bunda, pandeiro e futebol, mas não de literatura. Nos falta aquele calor ardente dos caribenhos. Nunca produziríamos um Garcia Márquez. O Brasil não tem uma safra decente de escritores desde os modernistas.
- Ah... Garcia Márquez... É foda mesmo! Mas e o Paulo coelho? Ele ficou bem famoso!
-Paulo o que? Uma bosta! Escreveu umas músicas pro Raul que até eram legais. Depois disso fumou muita erva e vendeu muita porcaria na Europa. Malditos europeus sedentos por leitura pobre e transcendente.  Deve ser a nostalgia do velho continente. Deixa os caras pirados.
-Você quer falar de que, moleque?
-Política, por favor!
-Pois então diga, o que quer saber?
-Bolivarismo! Socialismo! Que tal começarmos aqui.
-Bom, o Chávez morreu. Você já tava sabendo?
-Sim, foi recente, ano passado, se não me falha a memória.
 -Em relação ao socialismo: olhe aquele velhote barbudo ali. Você o reconhece? -Olhou o idoso magrinho, claramente debilitado, trajando um macacão adidas vermelho, assentado numa cadeira tosca de madeira.
-Não. Quem é?
 -Quem é? Como quem é?! Porra é o Fidel! A Veja até tentou mata-lo em 2012, você não se lembra? Cento e dez anos na carcaça.  Ainda ontem fumamos um Cohiba juntos.
-Eu não fumo, seu desgraçado!
-Você não; eu comecei aos sessenta, depois da revolução Bolivariana de 2050. Um socialista  que se prese precisa de uma barba e de um charuto.
-A... então você é socialista?- Contive o riso, mesmo assim, ele se irritou.
- E você é o que? Você lia Marx sem entender porra nenhuma desde os 15; eu sei mais coisas sobre nós do que você garoto, não se esqueça.
-Cala a boca! E essa revolução ai?
-Bem, A coisa toda começou pouco depois da morte do Chavez; tinha alguma coisa a ver com a saúde, os médicos cubanos, a greve nas universidades públicas, uma copa do mundo no Brasil... Estou tentando me lembrar mas... Não me vem a cabeça...Porra!
 -Só me faltava essa, encontrar-me cinquenta anos mais velho, habitando um asilo nojento e com lapsos de memória.
Nesse momento uma enfermeira se aproxima.
- Señor, venimos a la consulta médica de la semana?