Bom, eu vou postar esse texto porque eu sou
chato, a faculdade está em greve, o que me permite certo tempo de ócio pós-almoço,
e, sobretudo, porque gosto de encher o saco dos meus amigos reacionários, que
apesar de muito conservadores, mais brancos, cristãos e limpinhos do que eu, eu
amo todos de coração.
Tenho acompanhado alguns debates acerca da possibilidade de
se cobrar mensalidade dos alunos da USP. À priori, eu sinceramente acho que não
existem tantos debates assim, à nível de uma amplitude nacional, mas sim, na
cabeça de uma minoria de abastados; o que temos é uma elite minoritária paulista
sedenta por sangue, que domina de modo amplo a mídia (leia-se Folha de São
Paulo, Veja e rede Globo), que grita feito um marreco desesperado, clamando por
“justiça”, querendo resolver de maneira atropelada a “crise do país”, pedindo a
cabeça dos “ditadores comunistas petistas malvadões”, pedindo desesperadamente
para que se prendam os molequinho negros faveladinhos, que mandem os
homossexuais para sanatórios, que espanquem os alunos de filosofia maconheiros,
e que clama pela polícia. Policia, borracha nesses sem vergonhas vagabundos! A
elite quer polícia, a elite do bandido morto, a elite da violência! A elite
quer sangue! A elite tem ódio! Essa é a elite que promove debates do tipo de se
passar a cobrar mensalidade dos alunos das universidades públicas.
E, o que mais me impressiona, é que apesar de tamanha sede
por justiçamento nunca passou pela cabeça da elite nenhuma alternativa para a
resolução de problemas diferente de privatizações e terceirizações. A lógica da
elite é a seguinte, começou a dar merda: vende isso ai. A companhias estatais
dão muito trabalho, vendamos para os americanos! Vendamos nossas mães quando
ficarem velhas para confecções no Brás. Vendamos nossos filhos para fábricas
vietnamitas que costuram tênis nike, ou para as chinesas que fabricam ipods. E
a partir de hoje, eu quero anunciar que meu rim está a venda, e o primeiro
branquelo que chegar com sotaque europeu e me der uma graninha pode levar. Essa
é a lógica da elite. Vamos vender tudo.
Vamos rumo ao progresso e a privataria, afinal nós não valemos nada, não
sabemos de nada, somos incopetentese; somos uns latinos de merda que ainda vivem
em cima de árvores e se locomovem pendurados em cipós. É muito pretensioso da
nossa parte pensar que temos a capacidade de gerir nossa produção, nossa
economia. É um absurdo pensar em educação pública de nível superior, saúde
pública. “Não temos competência pra isso!”
Pois é, mas tem uma coisa que a elite detesta. Essa coisa
está para a elite assim como a criptonita estava para o super-homem. Essa coisa
que a elite odeia não fede enxofre nem tem chifrinhos e um tridente. A coisa
que a elite tem pavor, que é odiosa, deplorável e quaisquer adjetivos que você
encontrar para as coisas mais terríveis, fedidas e nojentas, se resume em duas
palavras: IGUALDADE SOCIAL. Nunca diga isso perto daquele seu amigo reacionário
que defende a ditadura. É mais fácil descrever todo o cenáculo de fogo e
enxofre das profundezas das trevas, morada cão que chupa manga, do que falar em
igualdade social para o pessoal da elite.
É verdade meu amigo, para os reacionários, antes vendamos
nossos rabos para o capital estrangeiro do que nos gestarmos ,a nosso próprio
modo, e às nossas próprias circunstancias. Então, deu merda nas Estaduais. O
governo das elites quer fazer o que? Privatizar a universidade pública. Porque
é a única saída que sabem, e que sempre usaram pra tudo. E não diga o contrário
não. No momento em que escrevo esse texto corro sério risco de policiais militares
baterem a porta de casa e me pegaram numa mão de borrachadas até me largarem
sangrando no chão. Porque aqui em São Paulo é assim que funciona. Falou, não
entendeu, borracha neles. Se rolar um tiro, foi acidental, legítima defesa, ou,
a bala era de borracha, não era pra furar o peito de ninguém. Aproveitem meus amigos, ninguém sabe se
quando voltarmos da greve teremos um boleto de cobrança em nome do seguinte
favorecido: Universidade Estadual Paulista –Julio de Mesquita Filho.
E viva a elite paulistana.
E viva a elite paulistana.
E viva o Pelé, pois como muito bem disse à pouco tempo: “o
que importa nesse país é a seleção.”

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