quarta-feira, 4 de junho de 2014

VENDO MEU RIM PRA PAGAR A FACULDADE

Bom, eu vou postar esse texto porque eu sou chato, a faculdade está em greve, o que me permite certo tempo de ócio pós-almoço, e, sobretudo, porque gosto de encher o saco dos meus amigos reacionários, que apesar de muito conservadores, mais brancos, cristãos e limpinhos do que eu, eu amo todos de coração.
Tenho acompanhado alguns debates acerca da possibilidade de se cobrar mensalidade dos alunos da USP. À priori, eu sinceramente acho que não existem tantos debates assim, à nível de uma amplitude nacional, mas sim, na cabeça de uma minoria de abastados; o que temos é uma elite minoritária paulista sedenta por sangue, que domina de modo amplo a mídia (leia-se Folha de São Paulo, Veja e rede Globo), que grita feito um marreco desesperado, clamando por “justiça”, querendo resolver de maneira atropelada a “crise do país”, pedindo a cabeça dos “ditadores comunistas petistas malvadões”, pedindo desesperadamente para que se prendam os molequinho negros faveladinhos, que mandem os homossexuais para sanatórios, que espanquem os alunos de filosofia maconheiros, e que clama pela polícia. Policia, borracha nesses sem vergonhas vagabundos! A elite quer polícia, a elite do bandido morto, a elite da violência! A elite quer sangue! A elite tem ódio! Essa é a elite que promove debates do tipo de se passar a cobrar mensalidade dos alunos das universidades públicas.
E, o que mais me impressiona, é que apesar de tamanha sede por justiçamento nunca passou pela cabeça da elite nenhuma alternativa para a resolução de problemas diferente de privatizações e terceirizações. A lógica da elite é a seguinte, começou a dar merda: vende isso ai. A companhias estatais dão muito trabalho, vendamos para os americanos! Vendamos nossas mães quando ficarem velhas para confecções no Brás. Vendamos nossos filhos para fábricas vietnamitas que costuram tênis nike, ou para as chinesas que fabricam ipods. E a partir de hoje, eu quero anunciar que meu rim está a venda, e o primeiro branquelo que chegar com sotaque europeu e me der uma graninha pode levar. Essa é a lógica da elite.  Vamos vender tudo. Vamos rumo ao progresso e a privataria, afinal nós não valemos nada, não sabemos de nada, somos incopetentese; somos uns latinos de merda que ainda vivem em cima de árvores e se locomovem pendurados em cipós. É muito pretensioso da nossa parte pensar que temos a capacidade de gerir nossa produção, nossa economia. É um absurdo pensar em educação pública de nível superior, saúde pública. “Não temos competência pra isso!”
Pois é, mas tem uma coisa que a elite detesta. Essa coisa está para a elite assim como a criptonita estava para o super-homem. Essa coisa que a elite odeia não fede enxofre nem tem chifrinhos e um tridente. A coisa que a elite tem pavor, que é odiosa, deplorável e quaisquer adjetivos que você encontrar para as coisas mais terríveis, fedidas e nojentas, se resume em duas palavras: IGUALDADE SOCIAL. Nunca diga isso perto daquele seu amigo reacionário que defende a ditadura. É mais fácil descrever todo o cenáculo de fogo e enxofre das profundezas das trevas, morada cão que chupa manga, do que falar em igualdade social para o pessoal da elite.
É verdade meu amigo, para os reacionários, antes vendamos nossos rabos para o capital estrangeiro do que nos gestarmos ,a nosso próprio modo, e às nossas próprias circunstancias. Então, deu merda nas Estaduais. O governo das elites quer fazer o que? Privatizar a universidade pública. Porque é a única saída que sabem, e que sempre usaram pra tudo. E não diga o contrário não. No momento em que escrevo esse texto corro sério risco de policiais militares baterem a porta de casa e me pegaram numa mão de borrachadas até me largarem sangrando no chão. Porque aqui em São Paulo é assim que funciona. Falou, não entendeu, borracha neles. Se rolar um tiro, foi acidental, legítima defesa, ou, a bala era de borracha, não era pra furar o peito de ninguém.  Aproveitem meus amigos, ninguém sabe se quando voltarmos da greve teremos um boleto de cobrança em nome do seguinte favorecido: Universidade Estadual Paulista –Julio de Mesquita Filho.
E viva a elite paulistana.

E viva o Pelé, pois como muito bem disse à pouco tempo: “o que importa nesse país é a seleção.”

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