Ao ser bombardeado diariamente pela mídia tradicional com perspectivas apocalípticas do futuro brasileiro, me forço a fazer uma análise de contraste. Me entristece ser a plateia que assiste ao progressivo desmonte do Estado de bem-estar social europeu, Estado este construído após duas infernais Guerras Mundiais, em que o sangue de europeus, irmãos entre si, fora derramado por interesses alheios aos da pópria população europeia.
Este desmonte, inaugurado pela loucura da Dama de Ferro, mostra novamente a facilidade com que os interesses e segurança populares são desbancados por questões privadas. Mostra como que a luta e as conquistas sociais são postas em xeque no primeiro momento de desatenção dos cidadãos. Isso é preocupante, ao mostrar que a história não mudou. Como sempre, é sempre interessante recorrermos ao nosso amigo barbudo: a briga de classes nunca cessou, fora meramente apaziguada, durante certo tempo, pelo Estado social. No entanto, esta agora se mostra mais necessária do que nunca.
As duras medidas de austeridade que vêm sendo implantadas, embora não tenham mostrados resualtados reais de melhoras na economia, com certeza têm tornado a vida de milhares de europeus um verdadeiro desastre, como exposto neste artigo da Carta Capital.
A questão latino-americana
Por mais que se critique, a América Latina, com seus governos de tendências sociais (que são, ao meu ver, pejorativamente taxados de populistas), é um dos únicos pontos de resistência à tendência neoliberal mundial. Não que suas economias sejam socialistas, - bem longe disso - mas sim que certos pontos de bem-estar social ainda são foco de preocupação estatal. Infelizmente, as elites locais ainda exercem uma pressão colossal contra tais medidas afirmativas, com acusações rasteiras e raivosas sobre esses programas - vide Bolsa Família e Mais Médicos. Outra técnica de desmerecimento de tais governos se encontra justamente na previsão de colapso econômico a que, como supracitado, somo sujeitos diariamente.
A tentativa de instauração de caos público é uma técnica bem conhecida de desestabilização de governos. Tal modus operandi é tradicional neste continente, com prática exímia, como comprovado pelo alastramento de ditaduras militares na década de 60. Conjuntamente com tal método, são lançados candidatos de oposição que, embora usurpem parte do discurso de esquerda, com intuíto de arrecadar votos, como exposto neste artigo do Le Monde Diplomatique, pregam a implementação de certas "medidas impopulares", como o fez certo candidato da oposição ao governo brasileiro.
O contraste
Feitas as devidas análises, é importante questionarmos: até que ponto nos encontramos realmente na iminência de um colapso ou estamos, na verdade, perante a influência dos mesmos grupos econômicos que pregavam que a "austeridade salvaria a Europa"? Estaríamos dispostos a oferecer o (pouco) que temos de garantias a grupos que não tem compromissos outros do que os seus próprios? Acreditar que os grandes bancos internacionais querem o bem da população brasileira, graças ao seu grande senso de altruísmo?
É importante lembrar que, por incrível que pareça, o Brasil já cumpriu, com antecedência, dois dos Objetivos do Milênio propostos pela ONU, que têm como prazo 2015: a redução em dois terços da mortalidade infantil dos níveis de 1990 até 2015 e a redução da pobreza extrema pela metade, que o Brasil conseguiu ultrapassar e atingir um quarto.
Observação: de maneira alguma se faz aqui uma ode ao atual governo federal, mas sim se ressalta como que as medidas sociais têm sim sua importância. Novamente, sendo a América Latina um dos "últimos bastiões" da preocupação social, clamo pela permanência e o progressivo aprofundamento de tais medidas. Vou além: creio que seja a integração continental com nossos "hermanos" a única solução real de combate às excessivas influências externas. À la moldes bolivarianistas, afirmo que passou-se o tempo de removermos a plaqueta "quintal" e reafirmarmos nossa soberania.

hahahahahahha Graande Bolívar!
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ResponderExcluirMeu amigo Laprano, eu confesso que começo a ler seu texto e vou me empolgando tamanha concordância que tenho com as suas ideias. hahahaha
ResponderExcluirEu sou um entusiasta convicto do Keynesianismo, por uma razão tão simples que posso explicar de maneira extremamente chula: se um Estado se faz necessário, então que o Estado forneça algo a mais que coerção social, que este Estado zele pelo seu corpo social. Com isso, também vejo com muito pesar as austeridades que tem assolado a Europa nesse período de crise; também penso que isso não leve tanto tempo pra chegar em nosso país, pois parece ser este, o ideário predominante entre nossa elite mesquinha. Muito bom seu texto!