As ruas estavam quietas a meia noite. Costumavam ser o
cenário constante das suas caminhadas solitárias quando os problemas o afligiam
interrompendo o sono. Ontem estavam especialmente belas depois de uma garoa
fina, com a iluminação fraca dos postes.
Andava mergulhado em pensamentos soltos e desconexos quando
algo lhe chamou a atenção. As Flores brancas daquele jardim novamente
apareceram. Uma cena confusa, quase paradoxal em vista do cenário noturno
predominante em tons escuros e monótonos.
Não bastasse a beleza, as flores também exalavam um perfume singular com o qual já se familiarizara em determinados meses do ano.
Não bastasse a beleza, as flores também exalavam um perfume singular com o qual já se familiarizara em determinados meses do ano.
Lembrou-se de coisas que haviam acontecido na ultima vez que
as flores apareceram ali. Lembrou-se de quando roubara sem culpa um botão branco para presentear a menina linda
que o acompanhava, e que naquele momento não só tornara-se dona da flor, mas
também do seu coração. Como era linda a menina; e a flor.
Lembrou-se das pessoas que haviam partido dês de que vira
pela ultima vez aquelas flores. Sentiu saudades; das pessoas, da menina e das
flores; que naquele momento reapareciam ali, diante dos seus olhos. Mas onde
estavam as pessoas que se foram? E a menina linda?
Voltou às flores. Como as amava. Porque simplesmente não permaneciam como um presente eterno? E as pessoas? E a menina? Estava confuso.
Percebeu enfim que acabara de descobrir o sistema mais simples e belo de medida de tempo. Todas as vezes que visse os botões brancos, ou sentisse novamente o cheiro doce entrando pela janela do seu quarto saberia que um ano daria lugar a outro e que assim seria infinitamente, numa exatidão perfeita e natural.
E as pessoas que se foram? E a menina linda?
Eternos nas flores.
Voltou às flores. Como as amava. Porque simplesmente não permaneciam como um presente eterno? E as pessoas? E a menina? Estava confuso.
Percebeu enfim que acabara de descobrir o sistema mais simples e belo de medida de tempo. Todas as vezes que visse os botões brancos, ou sentisse novamente o cheiro doce entrando pela janela do seu quarto saberia que um ano daria lugar a outro e que assim seria infinitamente, numa exatidão perfeita e natural.
E as pessoas que se foram? E a menina linda?
Eternos nas flores.

Belíssimo! Quem dera se as lembranças vivas em nós fossem um pouco mais táteis...mas talvez a beleza maior da saudade esteja justamente na lembrança de momentos únicos, uma imagem fixa do passado e que nos lembra de quem nós somos - ainda que nós mesmos já estejamos tomados pelo frio, pela noite e pelo cansaço dos anos, na memória pode-se sempre reviver as "primeiras vezes" da vida. Abraço, e novamente, belíssimo!
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